O Economista no cinema

Ontem tive a oportunidade de assistir a um filme em uma sala de cinema de um dos muitos shoppings de São Paulo, era meu aniversário de casamento e pela minha cara metade faço esse e muitos outros sacrifícios.

Celebrações a parte, assistimos a um filme de lobos e vampiros, e francamente, prefiro terror trash a esse tipo de romance, mas como quem ama cuida, rompi esse preconceito e entreguei 2 horas da minha vida a holywood.

Constatei assim que:

É difícil ser um economista no início do século 21–ainda vivemos os moldes do que é o fim do século 20–o que é ainda mais verdade em um país subdesenvolvido como o nosso querido Brasil, temos que engolir uma série de restrições “do legado”. Ser racional, ponderado e crítico com algumas das imperfeições dos modelos vigentes é difícil; não há consenso, é difícil até escrever a respeito.

Mas o mundo esta mudando, sempre esteve, e é mais ou menos disso que quero falar. Vamos usar como exemplo a indústria do cinema, palco do meu encontro de ontem a noite, em que apesar de muito bem acompanhado fechei os olhos em 3 oportunidades e sai sem entender o todo da história.

Em primeiro lugar, minhas escolhas estavam restritas ao menu do cinema visitado, que é, para o bem da verdade, limitadíssimo. Havia 5 ou 6 opções disponíveis, todas holywoodianas, recém lançadas e com a mesma proposta e formato em comum.
Todos iguais em essência, nenhuma língua estrangeira, nenhuma obra histórica ou best seller do ano. O filme dos vampiros contra lobos (Amanhecer) é uma história bem xoxa, bizarra e romântica, incrivelmente romântica, e tem um desfecho indescritível.

Fato é que esse filme só foi escolhido por falta de opção, e como todo bom economista–mesmo que nato–sabemos que em termos de escolha mais é mais. Quanto mais opções melhor. É melhor ter dificuldade em decidir em cima de um conteúdo vasto do que escolher mal e com pouquíssimas opções.

Continuemos examinando o que a um dia “poderosa” indúsria do cinema perde ao longo do século 21 e toda a enxurrada de teconologia que começaremos a compartilhar. Lembrando que estamos iniciando a segunda década do século, não por acaso fui hoje ao mercado em busca de uma televisão nova para a sala.

Não chegamos a uma decisão sobre exatamente qual comprar, mas estabelecemos faixa de preço e alguns critérios interessantes, como o fato de que será uma TV 3D, Full HD, 40′ ou + e WIFI, suficiente para nossa necessidade, mas já defasada em termos das próximas gerações (obviamente).

Tudo isso para falar que o cinema esta perdido, a medida que novas tecnologias evoluem, pessoas terão a oportunidade de montar suas próprias salas de cinema em casa, terão o que há de mais avançado em experiência de uso. O filme que assisti ontem não era 3D, não tinha qualidade HD –muito longe disso, a propósito,–tinha um bom áudio, mas era um filme meia boca, que não teria assistido se tivesse qualquer filme nota 6 disponível.

Perdi duas vezes; na escolha e na qualidade da apresentação.

Entenda que um economista sempre tenta melhorar seu resultado e otimizar recursos, fazendo mais com menos, acertando ao invés de errando, mas ao errar, utiliza a iniciativa em favor do aprendizado, partilha essa lição ao máximo, e continua tentando. Ser racional muitas vezes implica em privações e regras em detrimento de resultados que podem ter um valor para você e outro valor para outra pessoa.

Nesse ponto chegamos a um termo insolúvel da equação: a percepção de valor.

Do que você esta disposto a abrir mão e em detrimento do que? Até que ponto você pode ceder ciente de objetivos maiores?
Talvez seja demais pedir para que todo o mundo mude ou entre em consenso, mas podemos (devemos) melhorar muito a situação e para tanto precisamos e precisaremos mudar.

A oportunidade é única na história da humanidade, uma revolução no paradigma da comunicação entre seres humanos, uma oportunidade para nos comunicarmos com o máximo de eficiência, conforto, comodidade e segurança, ao custo de conectarmos todos os itens relevantes de nosso planeta na rede. Tornaremos nossa sociedade em algo sem precedentes a medida que crianças sejam educadas sob plataformas que reúnam elementos de alta tecnologia, novas formas de aprendizado levarão crianças a limites antes inimagináveis, e assim perderemos toda a razão sobre o que foi a vida no século 20, seremos história, idosos enquanto vivos, parte de um passado, lembranças de alguma coisa que deu em algo muito maior.

Minha meta é sempre fazer parte desse algo muito maior, seja como for, trabalhando, educando, aprendendo, interagindo com a família, com amigos e colegas, seja criando uma identidade complementar no mundo virtual e endossando minhas conquistas, conexões, desejos e visões, seja utilizando novas ferramentas que conduzem a novas conquistas.

Somos prosumidores de conteúdo; produzimos ao mesmo tempo em que consumimos. Todos podem eleger o que é de fato melhor, de fato raro, de qualidade inquestionável, segmentar em diversas camadas, sob diversas perspectivas, e endossar aquilo em que acreditamos, fazendo dessa forma de expressão uma parte do todo que existe em cada um de nós.

A vida é mais como um jogo de video game do que como o cinema; queremos vencer e participar ativamente do espetáculo, ao invés de assistir a tudo distante e passivamente. Queremos começar e recomeçar muitas vezes, queremos conectar com novos atores e chegar a finais imprevisíveis, acreditando mais em ética do que em direitos individuais. Jogamos com nossos recursos, com toda nossa atenção, e exercitamos nossa inteligência ao tentar vencer cada um dos muitos mini-games que vivemos diariamente. Acreditamos que nosso constante aprendizado e dedicação nos levará, a todos, a fases mais complexas porém mais avançadas.

O cinema nunca vai deixar de existir, as pessoas sempre manterão contato pessoal, se amando e odiando, se casando e separando, se encontrando para falar sobre o tempo ou os negócios, agora com mais opções, mais meios, mais poder sobre o que consomem, como e quando consomem.

O economista perde, mas racionaliza e toma ação; muda alguma coisa no seu modo de agir.

Perde consciente.

Gosto de pensar como um economista, mesmo sabendo das minhas limitações.

Quanto de economista existe em você?

Advertisements

3 comments

Tell me what you think about...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s